Tuesday, March 3, 2009

Diversidade

Hoje passei o dia em um treinamento sobre diversidade. O objetivo do treinamento é tentar tirar da cabeça das pessoas o pré-conceito sobre aquilo que não sabemos (outras raças, outro sexo, outra opção sexual, outras religões e por aí vai). Como disse o instrutor, é fazer gente boa ainda melhor.
Assim como no Brasil, os Estados Unidos receberam e ainda recebem imigrantes de todos os lugares do mundo e por aqui eles gostam de por uma "etiqueta" em todo mundo.
Eu sou mulher, latina/hispânica, e esquisita porque não tenho como língua nativa o espanhol e sim o português (han??).
A gente sabe que existe preconceito no Brasil e muito. Só que o preconceito no Brasil é enrustido e nunca debatido abertamente como é aqui. A mulher sofre preconceito no Brasil, não sofre? Os negros sofrem preconceito no Brasil, não sofrem? Aqui eu ganhei uma etiqueta nova que é alvo de muito preconceito. A etiqueta de latina (ou hispânica, o que tecnicamente não é correto, mas quem se importa?).
Não importa a cor da sua pele, se vc é latina vai vivenciar aqui o preconceito mais cedo ou mais tarde.
Bem, dentre outros, teve um exercício no treinamento em que as pessoas deveriam falar o que vinha a cabeça quando se pensava em um outro grupo racial. A maioria na classe era "caucasian" ou brancos e alguns grupos escolheram falar o que pensavam sobre os latinos. As palavras que saíram foram: gangue, preguiça, sempre atrasados, família enorme, mulheres que gostam de se vestir com sensualidade (entenda bem que isso não é elogio, aliás a palavra mais certa pra tradução seria até sexualidade), dentre outros.
Eu me senti SUPER ofendida. Não saiu nada que prestasse, acho que nenhum elogio. Uma mulher comentou que o termo "latino" envolve um grupo enorme e que era difícil comentar sobre todos. Mas naquela hora e naquele lugar eu estava etiquetada como aquele grupo de preguiçosos e mulheres que se vestem como piranhas... E doeu ouvir aquilo tudo.
Num outro exercício, o instrutor pediu que falássemos o que não gostaríamos nunca que ninguém falasse sobre a nossa raça e eu disse que eu não gostaria de ser "etiquetada" em grupo nenhum. Não que eu não tenha orgulho de ser latina, tenho sim e muito. Amo ser brasileira. Eu disse que não queria ser colocada no grupo de mulheres que se vestem como piranhas, no grupo de mulheres que tem 20 filhos, um de cada pai diferente, ou no grupo de preguiçosos que não gostam de trabalhar. Eu gostaria de ser colocada no grupo IZABELA, como indivíduo de personalidade própria e características próprias. Até aceito que falem que eu sou mais pro lado dos atrasados, mas isso é outra história!!!
É muito complicado explicar em um post sem ficar chato como as coisas aqui são. Um dia eu tento ou vou explicando aos poucos.
Por hora só queria dizer que um saco ter que andar por aí com uma "etiqueta" na testa e que vale sempre lembrar que cada qual com seu cada qual e cada um com seu cada um!

3 comments:

Janaina said...

No Brasil temos o problema do preconceito assim como temos aqui. A diferença é que lá nunca "sofremos" isso na pele e aqui sim. No Brasil o negro e os pobres são as maiores vítimas de preconceito. Aqui é pior! Todos que não são brancos e de classe média para cima são vítimas dele.

Camila said...

Beh, mostrei esse post pro Bruno (namorado) e ele falou uma coisa que concordo plenamente: aqui as pessoas são racistas por opção; aí elas são racistas por ignorância.
Espero que você não passe por mais situações chatas como essa que vc descreveu. E nunca esqueça suas raízes! Vc nasceu num povo alegre, solidário e amigável!
Saudades!!!
Bjsss

Anonymous said...

intiresno muito, obrigado